A décima edição do seminário “Resguardando Nosso Futuro” – Aquecimento Global: a expressão da cidadania como valor sócio-ambiental e cultural será realizada pela Fundação Mokiti Okada no próximo dia 20. O seminário promove a reflexão e apresenta alternativas para uma harmonização entre os seres humanos e a natureza.
A utilização desenfreada de agrotóxicos no solo e nos alimentos esta cada dia mais acentuada. Com objetivo de elevar a produtividade e conseqüentemente trazer maior retorno financeiro. No entanto, o aumento na utilização de elementos químicos pode ser nocivo para diversos organismos incluindo seres humanos.
O consultor e professor Hasime Tokeshi aborda este tema no “Resguardando Nosso Futuro” que conta com a participação de vários palestrantes renomados que discutirão alternativas para a preservação do meio ambiente e sustentabilidade.
O evento será realizado na rua: Morgado de Mateus, 77 – Vila Mariana – SP, sede da Fundação Mokiti Okada.
Para mais informações telefone: (11) 5087-5004 com Patrícia ou pelo e-mail: cpesq@fmo.org.br
Data: 20 de Setembro
Horário: das 8h às 17h
Investimento: R$35,00 (almoço não incluso).
Programação completa acessar: http://www.fmo.org.br/eventos/resguardandonossofuturo/
COLABORAÇÃO ENVIADA POR: Marcelo Roberto <comunicacao1@fmo.org.br> em 12 de setembro de 2008 09:49
Tags: EVENTOS
Roselena Nicolau
Da Agência Sebrae de Notícias (www.asn.com.br )
São Paulo - A burocracia impera no Brasil. Está enraizada em todas as esferas governamentais e atormenta o empresário da abertura ao fechamento de sua empresa. Ao lado da alta carga tributária, empurra as empresas, sobretudo as menores, para a informalidade. Estudos recentes dão uma mostra dos estragos do excesso de formalismo e procedimentos no setor privado.
Relatório divulgado pelo Banco Mundial revela, por exemplo, que o empresário australiano leva dois dias para abrir um negócio em seu país. Aqui no Brasil, a abertura de uma empresa, independente do porte, exige 15 procedimentos e demora, em média, 152 dias.
Outro levantamento, feito junto a 100 pequenas empresas de confecção pelo Ronald Coase Institute, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), constatou que o empresário brasileiro perde 74 dias para ter sua empresa constituída. O estudo mostra, ainda, que o custo médio para a abertura de uma firma equivale a 10,9% do PIB per capita.
Os resultados dos estudos foram debatidos no Seminário Burocracia, Empreendedorismo e Emprego, realizado pela ACSP e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em São Paulo.
Os dados serviram como subsídios aos participantes na busca de estratégias que incentivem a desburocratização. Para o jornalista Luis Nassif, a legislação trabalhista é um exemplo claro de excesso de burocracia. “Muitas empresas deixam de contratar porque não conseguem cumprir todas as exigências burocráticas. Isso sem falar dos custos envolvidos na contratação”, disse.
A burocracia não escolhe tamanho, faturamento ou ramo de atividade, mas é especialmente nefasta para as empresas de menor porte. Ao mostrar os resultados da pesquisa feita com o setor de confecções, conduzida por Décio Zylbersztajn, professor do Departamento de Administração da FEA/USP, o diretor do Centro de Pesquisa, Análise e Comunicação (Cepac), José Rubens Figueiredo, disse que hoje, no Brasil, “é um heroísmo manter uma empresa formalizada, ainda mais quando se é pequeno e micro”. Isso porque, segundo ele, 94% dos entrevistados precisaram contratar um especialista para abrir o negócio.
O presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon), Antonio Marangon, lembrou no evento que o Brasil já teve até um Ministério da Desburocratização, conduzido pelo ministro Hélio Beltrão. “Mas nada foi feito até hoje para diminuir a burocracia. Ao contrário, nos últimos anos o excesso de burocracia aumentou em 50% os custos das empresas”, disse.
Marangon citou ainda os resultados de uma pesquisa feita pelo Sebrae, segundo a qual a burocracia leva 72% das empresas paulistas para a informalidade. “Somente no Estado de São Paulo, dos 3,9 milhões de empreendedores, 2,6 milhões são informais”, revelou.
Tributos
Ao lado da burocracia, a carga tributária contribui para engrossar as estatísticas da informalidade. “O pequeno empreendedor não tem como arcar com essa carga, que em 1994 representava 29% do PIB e hoje está próxima a 37%”, disse o diretor técnico do Sebrae/SP, Carlos Monteiro.
O diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, Marcel Solimeo, também não poupou críticas ao poder público, que nada tem feito para diminuir a burocracia.” Ao contrário do que ocorre com os empresários quando deixam de cumprir alguma obrigação, o governo não tem prazo para atender alguma solicitação do contribuinte, fruto da burocracia criada por ele mesmo, e nem paga multa”, criticou.
Fonte
Starta - Junho/2004
http://www.starta.com.br/informe/6/terceirosetor.asp
Lauro Charlet Pereira
Embrapa Meio Ambiente-SP
Doutor em Planejamento Ambiental - UNICAMP/SP
Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente
Marta Regina Lopes Tocchetto
Universidade Federal de Santa Maria - RS
Doutoranda em Eng. de Minas, Metalúrgica e dos Materiais – UFRGS
Profa. Universidade Federal de Santa Maria (RS)
O meio ambiente sofre com o desenvolvimento que representa um fator de risco, devido às atividades humanas sem controle, os despejos de esgotos sem tratamento, vazamentos de produtos tóxicos e a disposição inadequada de resíduos sólidos que vêm causando uma degradação vertiginosa do meio ambiente e uma dilapidação do capital natural. As ações de saneamento são entendidas como instrumento para promoção da saúde, prevenção e controle de doenças. Entretanto, a cobertura de serviços no que se refere ao esgotamento sanitário e de resíduos sólidos, bem como ao controle da qualidade da água para consumo humano ainda é deficitário no Brasil.
Durante a 1ª Conferência das Cidades, que ocorreu em Brasília no mês de outubro de 2003, o Superintendente Executivo da Associação Nacional das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE) enfatizou “a necessidade do País encarar de frente, a questão do esgotamento sanitário”. Ao longo da última década, os indicadores de comportamento do Setor de Saneamento vêm revelando dificuldades crescentes em relação à necessidade de universalização da prestação dos serviços à população brasileira e até mesmo para a manutenção dos níveis de cobertura já alcançados.
Nesse contexto a população brasileira se prepara para rediscutir a urgente necessidade de uma política nacional para o saneamento. Políticas que garantam investimentos permanentes tanto para ampliação, como aperfeiçoamento do sistema já implantado. A visão dos sanitaristas presentes no 22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental é que “mais do que garantir a implantação dos equipamentos de saneamento, é preciso assegurar a sua operacionalidade, após a conclusão das obras. É preciso garantir através de programas claros considerando, dentre outros fatores, as diferenças regionais e mecanismos de controle social que garantam a eficiência do sistema, de forma que o investimento não acabe com o final da obra”.
Este contexto do saneamento nacional se reflete nas exigências crescentes feitas pela legislação ambiental, como pela Resolução CONAMA 274/2000 que classifica as águas destinadas à recreação. Os corpos d’água contaminados por esgotos sanitários expõem os banhistas a riscos de doenças, devido à presença de bactérias, vírus e protozoários e têm contribuído para acelerar a instalação de sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário. A balneabilidade das águas reflete a qualidade destas, destinadas ao uso de recreação, sendo este entendido, como contato direto e prolongado com a água (natação, mergulho, esportes aquáticos, etc), onde a possibilidade de ingerir quantidades apreciáveis de água é elevada. Para sua avaliação são estabelecidos critérios objetivos.
Estes critérios se baseiam em indicadores a serem monitorados e seus valores são confrontados com padrões pré-estabelecidos, para identificar condições de balneabilidade em um determinado local, inclusive para definir classes orientando melhor os usuários. De acordo com a classificação estabelecida pela Resolução, as águas impróprias para banho são as que apresentam acima de 1.000 coliformes fecais por 100 mL de água, em no mínimo duas amostras de cinco analisadas, ou quando o valor obtido na última amostragem for superior a 2.500 coliformes fecais ou 2.000 Escherichia coli. A Escherichia coli é abundante nas fezes humanas e de animais, pois o trato intestinal é o habitat desta bactéria.
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) – órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RS executa anualmente, no período do verão (segunda quinzena de novembro e primeira de março), o Projeto Balneabilidade. O Projeto consiste em monitorar os balneários através de coletas semanais de água para análise, nos dias de maior movimento de veranistas. Para alertar o público a Fepam coloca placas de sinalização indicando as condições, em frente aos pontos onde são coletadas amostras de água. A constatação de valores elevados de coliformes fecais indica contaminação fecal que poderá ocasionar riscos à saúde dos banhistas, sendo que a gravidade do risco depende da saúde da população geradora e do grau de imunidade dos banhistas.
A divulgação dos resultados das análises, no início do veraneio gaúcho evidenciou diversas situações de melhoria da qualidade em balneários historicamente impróprios, como no Laranjal. E situações opostas de comprometimento de qualidade, como em alguns pontos do Litoral Norte do Estado. Alguns dos resultados negativos foram detectados, mesmo com a implantação de estações de tratamento, apontando como causas possíveis:
-
a provável ligação de esgoto sanitário à rede pluvial, fazendo com que o esgoto ao invés de ser encaminhado ao tratamento seja despejado in natura no meio ambiente;
-
a ausência de unidades de tratamento, ou mesmo dificuldades operacionais nas unidades implantadas;
-
a cobertura insuficiente de redes de esgoto.
O problema se agrava quando o índice pluviométrico ultrapassa os índices normais para um dado período do ano. Os balneários de água doce geralmente estão localizados no interior do Estado e em zona predominantemente rural, onde a atividade agropecuária é a principal enfrentam igualmente o problema, apesar da baixa densidade populacional. Em época de maior incidência de chuvas, como ocorreu no mês de dezembro de 2003, muitos destes balneários apresentaram condições impróprias para a recreação. As fezes oriundas das criações de animais somadas aos dejetos humanos, a redução da capacidade de infiltração do solo, a ausência de tratamento e o grande volume de chuva favoreceram que esta carga atingisse os mananciais de água evidenciando o elevado índice de coliformes nas amostras analisadas.
Mesmo que o volume de chuva se normalize e que a balneabilidade seja recuperada, o problema necessita ser enfrentado, pois o esgoto lançado a céu aberto irá, mais dia menos dia, comprometer o solo, as águas subterrâneas e atingirá as águas superficiais. Os investimentos para despoluição são sempre maiores que os necessários para a implantação de tratamentos preventivos, que garantirão a qualidade do meio ambiente reduzindo os riscos à saúde pública, o comprometimento ambiental, os reflexos negativos à economia e à imagem da região. Para garantir a saúde ambiental, a comunidade juntamente com os setores competentes, necessita abandonar a visão reativa, ou seja, apenas enfrentar o problema quando ele se evidencia em cada verão.
É necessária a implantação de estratégias ambientais preventivas, que busquem soluções integradas para resíduos sólidos, esgotos e água, garantindo não só a qualidade ambiental, mas, sobretudo, a sustentabilidade dos recursos naturais e do meio ambiente.
Bibliografia:
Água abundância e escassez. A gestão por bacias (2002). Disponível em:
http://www.comciencia.br/reportagens/aguas/aguas04.htm. Acesso em: 29/05/2002.
CARVALHO, B (1998). Ecologia Aplicada ao Saneamento Ambiental. Rio de Janeiro: ABES,
1998. 368 p.
CETESB (2004). Disponível em http://www.cetesb.sp.gov.br. Acesso em 05/01/2004.
FEPAM (2004). Disponível em http://www.fepam.rs.gov.br. Acesso em 10/01/2004.
HAWNEN, P.; LOVINS A.; LOVINS L. H. (1998). Capitalismo Natural- Criando a Próxima Revolução Industrial. São Paulo: Editora Cultrix, 1999. 358 p.
Lauro Charlet Pereira
Embrapa Meio Ambiente-SP
Doutor em Planejamento Ambiental - UNICAMP/SP
Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente
Marta Regina Lopes Tocchetto
Universidade Federal de Santa Maria - RS
Doutoranda em Eng. de Minas, Metalúrgica e dos Materiais – UFRGS
Profa. Universidade Federal de Santa Maria (RS)
Os problemas ecológicos têm caráter universal, atingindo a todos, independente da sua classe social. Ainda que muitas vezes os impactos sejam sentidos com maior peso pelas classes pobres, problemas como poluição da água e do ar, rompimento da camada de ozônio e contaminação de alimentos, por exemplo, não distinguem grupos sociais.
Nas duas últimas décadas, essas questões têm exercido uma maior influência nos custos econômicos e a proteção do meio ambiente têm se tornado um importante campo de atuação para governos, indústrias, grupos sociais e indivíduos. A produção sustentável e o desenvolvimento de produto são desafios das indústrias no século 21, à luz da crescente pressão ambiental. As operações industriais, neste mesmo período, experimentaram mudanças radicais com implicações significativas, principalmente com a introdução das normas de gestão pela qualidade ambiental, a exemplo da série ISO 14000.
Os custos da poluição têm se elevado drasticamente, como mostrados nos grandes acidentes de Bhopal e Exxon Valdez, cujos custos totais para remediação dos impactos ultrapassaram bilhões de dólares. Por outro lado, pequenos acidentes também ocasionam prejuízos à comunidade e às empresas, sobretudo se estes ocorrem freqüentemente. Mesmo emissões relativamente pequenas, quando em excesso, podem ter custos bastante grandes para as empresas, decorrentes de taxas e multas aplicadas.
O capitalismo econômico incentivou a proliferação de áreas para aterros, o aumento de áreas degradadas e o crescente descarte de esgotos nos corpos hídricos. A evolução para um mundo com cidades silenciosas, com fábricas sem a geração de resíduos e com a qualidade de vida mais elevada, estimula a busca de alternativas que possibilitem equilibrar a atividade produtiva e econômica, dentro da dimensão ambiental.
As empresas, cuja atividade industrial é de alto impacto ambiental, constituem-se em crescente preocupação da sociedade e dos órgãos reguladores ambientais, devido ao elevado grau de risco à saúde das populações e de poluição ambiental. Antes da intensa fase regulatória mundial, as indústrias concentravam suas preocupações, exclusivamente com a produção e os lucros. Ações para proteger o meio ambiente, neste período, eram insignificantes. Esta despreocupação foi responsável pela ocorrência de comprometimentos ambientais irreversíveis.
Diversos estudos demonstram que a legislação, além de ser um importante instrumento de controle e fiscalização das atividades industriais, contribui para a melhoria da gestão das empresas, inclusive para a implantação de medidas que resultam em proteção ambiental. O controle da atividade humana e a proteção dos ambientes naturais são regidos por leis, decretos e normas técnicas. As legislações têm como objetivo assegurar a qualidade do meio ambiente, bem como garantir a proteção da saúde das populações.
A empresa que passa a preocupar-se com as questões ambientais, assume a sua interferência sobre o meio ambiente e, ao mesmo tempo, busca formas para minimizar os efeitos da poluição. Uma nova postura passa a ser adotada com relação aos processos executados, até então não levada em conta, ou seja: “como os processos afetam o meio ambiente?” A ordem passa a ser: mudar o processo para acabar com o resíduo; agir nas fontes geradoras; minimizar a emissão; valorizar o resíduo para reaproveitá-lo e, só em último caso, tratá-lo e descartá-lo.
A implantação de um sistema de gestão ambiental (SGA) é a resposta dada pelas empresas para controlar os impactos causados, isto é, representa uma mudança organizacional, motivada pela internalização ambiental e externalização de práticas que integram o meio ambiente e a produção. Dentre os inúmeros benefícios alcançados destacam-se alguns, como: a melhoria da imagem perante os diversos atores que interagem com o empreendimento (stakeholders); redução dos custos ambientais; menores riscos de infrações e multas; aumento de produtividade; melhoria da competitividade e surgimento de alternativas tecnológicas inovadoras.
Ao implantar um SGA a empresa adquire uma visão estratégica em relação ao meio ambiente, passando a percebê-lo como oportunidade de desenvolvimento e crescimento. Ao mesmo tempo, deve ser ressaltado que estratégias sustentáveis asseguram a proteção ambiental, tanto do local de trabalho quanto dos operadores, além de contribuir para a eliminação ou minimização de impactos ambientais.
Marta Regina Lopes Tocchetto
Universidade Federal de Santa Maria - RS
Doutoranda em Eng. de Minas, Metalúrgica e dos Materiais – UFRGS
Profa. Universidade Federal de Santa Maria (RS)
Lauro Charlet Pereira
Embrapa Meio Ambiente-SP
Doutor em Planejamento Ambiental - UNICAMP/SP
Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente
A crescente preocupação com a qualidade ambiental tem levado as indústrias brasileiras a buscarem alternativas tecnológicas mais limpas e matérias primas menos tóxicas, a fim de reduzir o impacto e a degradação ambientais. A conscientização da sociedade e a legislação ambiental têm induzido as empresas a uma relação mais sustentável com o meio ambiente. Não há mais lugar para a exacerbação do lucro obtido às custas do comprometimento do meio ambiente. Diante disso, a indústria tem sido forçada a investir em modificações de processo, aperfeiçoamento de mão-de-obra, substituição de insumos, redução de geração de resíduos e racionalização de consumo de recursos naturais.
A busca por alternativas que minimizem os impactos negativos da atividade produtiva tem motivado o setor industrial em investir em soluções, que também se refletem em economia e melhoria da competitividade. A adoção de estratégias de prevenção apresenta-se como a alternativa mais adequada, porém importantes padrões, modelos de comportamento, crenças e práticas institucionalizadas devem ser modificados, assim como muitos paradigmas consolidados na estrutura das empresas devem ser substituídos.
A avaliação ambiental torna-se cada vez mais valiosa e importante, pois fornece bases para a formulação de políticas, planos e projetos que permitem o manejo dos riscos e impactos das atividades produtivas aumentando a ecoeficiência da organização. O diagnóstico da situação ambiental consiste em uma análise profunda de todos os impactos dos processos, serviços e produtos.
A falta de registros, na maioria das empresas, no que tange às entradas e saídas de insumos, do consumo de água, de matérias primas, de energia, de geração de efluentes e resíduos, por exemplo, também dificulta a implantação de medidas que poderiam melhorar o desempenho ambiental das mesmas. A ausência de informações, desta natureza, contribui para conhecimentos precários sobre os custos ambientais, alimentando a visão distorcida de que investimentos em medidas de proteção não significam ganhos, mas sim em aumento de custos operacionais e redução de competitividade.
Em estudo realizado em um grupo de empresas com atividade galvânica, verificou-se que a identificação dos impactos ambientais significativos relaciona-se mais fortemente com questões econômicas e legais, do que com os aspectos técnicos e ambientais. O planejamento de ações, baseado em critérios técnicos e ambientais, contribui para a implantação de medidas mais efetivas, no que diz respeito à melhoria da qualidade ambiental.
Um maior conhecimento sobre os impactos ocasionados pelas atividades produtivas, possibilita a seleção mais adequada de indicadores que podem ser utilizados para o processo de melhoria contínua do SGA (sistema de gestão ambiental). A dificuldade para o estabelecimento desses indicadores é um dos principias problemas das indústrias, tanto ao nível nacional quanto internacional.
A escolha equivocada de indicadores irá refletir-se de igual forma na avaliação do desempenho ambiental das empresas, trazendo como conseqüência: adoção de medidas inócuas, implantação desnecessária de equipamentos e/ou outras intervenções inadequadas para um bom sistema de gestão.
Acredita-se que grande parte das empresas ainda desconhece os benefícios do uso de indicadores de desempenho, como ferramenta para o planejamento ambiental. Com isso é possível que elas estejam deixando de aproveitar oportunidades, como: aumento da produtividade, melhoria da competitividade e da qualidade ambiental, além de atingir efetivamente a sustentabilidade produtiva.
Marta Regina Lopes Tocchetto – Universidade Federal de Santa Maria - RS
Doutoranda em Eng. de Minas, Metalúrgica e dos Materiais – UFRGS
Lauro Charlet Pereira – Embrapa Meio Ambiente-SP
Doutor em Planejamento Ambiental - UNICAMP/SP
O setor industrial, estigmatizado como um dos principais responsáveis pela grave situação ambiental do planeta e também pelas crescentes exigências legais, com relação aos resíduos gerados, tem reagido pró-ativamente, a partir da implantação de estratégias de gestão como: produção limpa, certificação ambiental, redução de resíduos tóxicos, reciclagem e reuso, principalmente. Além disso, as indústrias necessitam tornar-se ecoeficientes e mais competitivas, pois resíduo significa perda de matéria prima, falta de eficiência e aumento de custos de produção. Diante disso, passaram a preocupar-se com a introdução do conceito de prevenção, ou seja, reduzir cada vez mais a geração na origem, abandonando a postura essencialmente reativa.
Os processos de revestimento metálico provocam alto impacto ambiental em função da presença de metais pesados, principalmente o cromo, níquel, zinco e cádmio, além de cianeto, ácidos e álcalis, nos efluentes líquidos e conseqüentemente, no lodo proveniente dos tratamentos. Consomem, ainda, grandes volumes de água nas etapas de lavagens e de recobrimento, e também energia, devido ao aquecimento de diversas soluções durante o processo e no próprio tratamento dos resíduos. Diante da nova ordem que se estabelece, a gestão ambiental passou a ter importante papel no que tange à redução da geração destes resíduos, possibilitando assim conciliar a ampliação dos ganhos econômicos com a conservação do meio ambiente.
Em uma pesquisa, cujo objetivo foi detectar a situação da gestão ambiental nas maiores galvânicas do Rio Grande do Sul, constatou-se uma grande variação de ações, pois encontrou-se desde empresas com total ausência de setor responsável pelas questões ambientais, passando pelas que se preocupam apenas em cumprir os parâmetros estabelecidos pela legislação, até as que interferem no mercado com a introdução de produtos mais limpos ou mais sustentáveis. Como exemplo de boa conduta, cita-se uma indústria de Caxias do Sul que estabeleceu parceria com renomados estilistas, os quais se propõem a usar nas suas criações produtos alternativos, ou seja, produzidos com matéria-prima menos tóxica e conseqüentemente gerando resíduos mais facilmente tratáveis com baixíssima ação impactante.
Outro exemplo, foi uma indústria de Parobé que reveste os próprios detalhes decorativos para os calçados que produz. Para reduzir os impa
ctos do setor de tratamento de superfície, a primeira atitude foi substituir a matéria-prima das peças a serem revestidas, passando de metal para plástico, evitando assim a etapa de decapagem ácida, que é danosa à saúde humana e ao meio ambiente, eliminando também os processos com cianeto que são altamente tóxicos, por processo sem cianeto.
Esta empresa encontra-se atualmente em um bom patamar de responsabilidade ambiental, pois além da busca pela certificação ISO 14001, passou a preocupar-se com os resíduos gerados, não só na questão quantitativa, mas também qualitativa. Visa também o desenvolvimento de novos produtos, fabricados totalmente a partir dos seus resíduos, promovendo a redução dos grandes passivos ambientais de resíduos perigosos, característicos das indústrias calçadistas.
Estas experiências demonstram que a introdução da variável ambiental no sistema de gestão de empresas de alto impacto ambiental torna-as mais ecoeficientes, propiciando inúmeras vantagens, tais como: aumento de rendimento das matérias-primas, redução da geração de resíduos perigosos, diminuição dos custos de produção, tratamento e disposição, além de ganhos substanciais quanto à saúde do meio ambiente e da população.
Lauro Charlet Pereira
Embrapa Meio Ambiente-SP
Doutor em Planejamento Ambiental - UNICAMP/SP
Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente
Marta Regina Lopes Tocchetto
Universidade Federal de Santa Maria - RS
Doutoranda em Eng. de Minas, Metalúrgica e dos Materiais – UFRGS
Profa. Universidade Federal de Santa Maria (RS)
Se observarmos as diversas estatísticas, com relação a disposição dos resíduos sólidos, nos deparamos com uma situação alarmante, visto que 75% das cidades brasileiras dispõem seus resíduos sólidos em lixões. Esta situação trás diversos comprometimentos ao meio ambiente e à saúde da população. Podemos citar problemas como: surgimento de focos de vetores transmissores de doenças, mau cheiro, possíveis contaminação do solo e corpos d’água, além da inevitável destruição da paisagem urbana das cidades, principalmente.
Como agravante, deve ser mencionada a presença de catadores nestes locais colocando em risco, não apenas a sua integridade física e de saúde, mas também submetendo-se à uma condição de marginalidade social e econômica, que muitas vezes se confunde com o próprio conceito de lixo, situação esta que deve ser repudiada e melhor administrada pelos governantes.
Diante destes fatos é fundamental que governo e sociedade assumam novas atitudes, visando gerenciar de modo mais adequado a grande quantidade e diversidade de resíduos que são produzidos diariamente nas empresas e residências. Portanto, é preciso inverter a pirâmide, o que significa colocar em prática a desejável política dos “3 Rs” (Reduzir, Reusar e Reciclar) e não continuar produzindo e gerando mais resíduos, deixando que “alguém”assuma a responsabilidade de tratar e dispor adequadamente.
Para isso, é preciso modificar atitudes, por exemplo: usar o papel dos dois lados ; imprimir somente o que é necessário ; otimizar o tamanho do papel ao real espaço da mensagem ; usar embalagens recicláveis (papel ou papelão) ; adotar práticas de reciclagem e reuso, como levar sacolas para as compras em vez de sempre usar embalagens novas ; separar resíduos “sujos” de resíduos “limpos” que impedem ou dificultam a reciclagem ; utilizar frutas e legumes com cascas ou incorporá-las ao solo ; separar resíduos perigosos, como pilhas, lâmpadas, medicamentos, material de limpeza, tinta de cabelo e outros produtos químicos igualmente danosos ao meio ambiente e à saúde humana.
Todas estas práticas não só reduzirão o volume de resíduos gerados diariamente, mas também permitirão o exercício de reuso, culminando num melhor gerenciamento dos resíduos. São atitudes simples e viáveis que poderemos incorporar cada vez mais, a fim de proteger o ar, o solo e a água, trazendo como conseqüência melhores condições de saúde humana, qualidade de vida e saúde ambiental.
GESTÃO AMBIENTAL: UM ENFOQUE NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
AUTORIA: Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
ENDEREÇO: Avenida Joca Brandão nº 111, Edifício Dona Emília, apto 902 - Centro.
CEP 88.301-300 - ITAJAÍ – SC – BRASIL
E-mail: beth.kraemer@terra.com.br
TELEFONE/FAX: (0XX) 47-3446558
GESTÃO AMBIENTAL: UM ENFOQUE NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Resumo
A ameaça à sobrevivência humana em face da degradação dos recursos naturais, a extinção das espécies da fauna e flora, o aquecimento da temperatura devido à emissão de gases poluentes fizeram a questão ambiental ocupar um lugar de destaque nos debates internacionais. O meio ambiente da empresa é constituído por diversas formas de relacionamento, considerando as disciplinas gerenciais, as técnicas e o processo de produção junto às instalações e ao meio interno e externo, incluindo-se também a relação entre mercado, cliente, fornecedores, comunidade e consumidor. Neste sentido, o gerenciamento ambiental não pode separar e nem ignorar o conceito de ambiente empresarial em seus objetivos, pois o desenvolvimento deste conceito possibilita melhores resultados nas relações internas e externas, com melhorias na produtividade, na qualidade e nos negócios.
Abstract
The menace to the human survival in face of the degradation of the natural resources, the extinction of the species of the fauna and flora, the heating of the temperature due to the emission of pollution gases insisted to occupy a prominence place in the international debates. The environment of the company is constituted by several relationship forms, considering the managerial disciplines, the techniques and the production process close to the facilities and to the internal and external middle, being also included the relationship among market, customer, vendors, community and consumer. In this sense, the environmental management cannot separate and ignore the concept of managerial atmosphere in its objectives, because the development of this concept facilitates better results in the internal and external relationships, with improvements in the productivity, in the quality and in the business.
Palavras-Chave: gestão ambiental, desenvolvimento sustentável, responsabilidade ambiental e social, impacto ambiental.
Word-key: environmental administration, maintainable development, environmental and social responsibility, environmental impact.
1 – Introdução
A incorporação da variável ambiental dentro da gestão empresarial se tem convertido em uma necessidade inexplicável para aquelas empresas que não queriam atuar e cumprir com as obrigações perante a sociedade.
Esta incorporação se desenvolve eficientemente mediante a inclusão junto ao sistema de gestão geral da empresa, conhecida como Sistema de Gestão Ambiental, que deve instrumentar-se mediante os meios e estruturas necessárias para que não fique só como uma mera declaração de intenções. Neste contexto, este artigo trata do desenvolvimento econômico em relação ao meio ambiente; a responsabilidade ambiental da empresa; desenvolvimento sustentável; gestão ambiental; impacto ambiental; benefícios da gestão ambiental; sistema de gestão ambiental e por fim trata dos padrões internacionais de gestão ambiental como: ISO 14000, BS 7750 e EMAS.
2 - Desenvolvimento econômico em relação ao meio ambiente
Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos, políticos e legais, principais atributos para a construção da estrutura de uma política de meio ambiente, são inegáveis e inquestionáveis. Nos últimos anos, saltos quantitativos foram dados, em especial no que se refere à consolidação de práticas e formulação de diretrizes que tratam a questão ambiental de forma sistêmica e integrada.
Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação dos países em desenvolvimento, e o programa será atendido como fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio ecológico. Meyer (2000) enfoca que, para esta ótica, o conceito de desenvolvimento sustentável apresenta pontos básicos que devem considerar, de maneira harmônica, o crescimento econômico, maior percepção com os resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico na utilização dos recursos naturais.
Assume-se que as reservas naturais são finitas, e que as soluções ocorrem através de tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se atender às necessidades básicas usando o princípio da reciclagem. Parte-se do pressuposto de que haverá uma maior descentralização, que a pequena escala será prioritária, que haverá uma maior participação dos segmentos sociais envolvidos, e que haverá prevalescência de estruturas democráticas. A forma de viabilizar com equilíbrio todas essas características é o grande desafio a enfrentar nestes tempos.
Neste sentido, Donaire (1999) diz que o retorno do investimento, antes, entendido simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas, ora em diante, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação de um mundo sustentável.
Estes processos de produção de conhecimento têm oportunizado o desabrochar de práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o desabrochar de métodos e de experiências que comprovam, mesmo que em um nível ainda pouco disseminado, a possibilidade de fazer acontecer e tornar real o novo, necessário e irreversível, caminho de mudanças.
Isto é corroborado por Souza (1993), ao dizer que as estratégias de marketing ecológico, adotadas pela maioria das empresas, visam a melhoria de imagem tanto da empresa quanto de seus produtos, através da criação de novos produtos verdes e de ações voltadas pela proteção ambiental.
Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico que a alta administração das organizações deve analisar.
Figura 1 - Motivação para proteção ambiental na empresa

Fonte: Callenbach et al (1993, p. 26)
Neste contexto, as organizações deverão, incorporar a variável ambiental no aspecto de seus cenários e na tomada de decisão, mantendo com isso uma postura responsável de respeito à questão ambiental.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e resultados estratégicos do engajamento da organização na causa ambiental. Estes resultados não se viabilizam de imediato, há necessidade de que sejam corretamente planejados e organizados todos os passos para a interiorização da variável ambiental na organização para que ela possa atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com isso vantagem competitiva.
Os dez passos necessários para a excelência ambiental segundo Elkington & Burke, apud Donaire (1999) são os seguintes:
“1 - Desenvolva e publique uma política ambiental.
2 - Estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos.
3 - Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas e do pessoal administrativo (linha de assessoria).
4 - Divulgue interna e externamente a política, os objetivos e metas e as responsabilidades.
5 - Obtenha recursos adequados.
6 - Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade.
7 - Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e relatórios.
8 - Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental.
9 - Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em pesquisa e desenvolvimento aplicados à área ambiental.
10 - Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas etc.”
A primeira dúvida que surge quando considerarmos a questão ambiental do ponto de vista empresarial é sobre o aspecto econômico. Qualquer providência que venha a ser tomada em relação à variável ambiental, a idéia é de que aumenta as despesas e o conseqüente acréscimo dos custos do processo produtivo.
Donaire (1999) refere que “algumas empresas, porém, têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo uma organização que atua no chamado ‘mercado verde’, desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócios”.
3 – A responsabilidade ambiental da empresa
Ecologia e empresa eram considerados dois conceitos e realidades inconexas. A ecologia é à parte da biologia que estuda a relação entre os organismos vivos e seu ambiente. Dessa forma a ecologia é entendida como uma ciência específica dos naturalistas, distanciada da visão da Ciência Econômica e Empresarial. Para a empresa o meio ambiente que estuda ecologia constitui simplesmente o suporte físico que fornece a empresa os recursos necessários para desenvolver sua atividade produtiva e o receptor de resíduos que se geram.
Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de desenvolvimento, ao incorporarem nos modelos de gestão a dimensão ambiental. A gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade de que sejam implantados sistemas organizacionais e de produção que valorizem os bens naturais, as fontes de matérias-prima, as potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e devem iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do desperdício sejam coisas do passado. Atividades de reciclagem, incentivo à diminuição do consumo, controle de resíduo, capacitação permanentes dos quadros profissionais, em diferentes níveis e escalas de conhecimento, fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são desafios-chave neste novo cenário.
A nova consciência ambiental, surgida no bojo das transformações culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno. Nos anos 80s, os gastos com proteção ambiental começaram a ser vistos pelas empresas líderes não primordialmente como custos, mas como investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva.
Figura 2 - O Sistema Econômico e o Meio Ambiente

Fonte: Tietenberg (1994)
A inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos da organização moderna amplia substancialmente todo o conceito de administração. Administradores, executivos e empresários introduziram em suas empresas programas de reciclagem, medidas para poupar energia e outras inovações ecológicas. Essas práticas difundiram-se rapidamente, e em breve vários pioneiros dos negócios desenvolveram sistemas abrangentes de administração de cunho ecológico.
Para se entender a relação entre a empresa e o meio ambiente tem que se aceitar, como estabelece a teoria de sistemas, que a empresa é um sistema aberto. Sem dúvida nenhuma, as interpretações tradicionais da teoria da empresa como sistema tem incorrido em uma certa visão parcial dos efeitos da empresa geral e em seu entorno.
A empresa é um sistema aberto porque está formado por um conjunto de elementos relacionados entre si, porque gera bens e serviços, empregos, dividendos, porém também consome recursos naturais escassos e gera contaminação e resíduos. Por isto é necessário que a economia da empresa defina uma visão mais ampla da empresa como um sistema aberto.
Neste sentido Callenbach (1993), diz que é possível que os investidores e acionistas usem cada vez mais a sustentabilidade ecológica, no lugar da estrita rentabilidade, como critério para avaliar o posicionamento estratégico de longo prazo das empresas.
4 - Desenvolvimento Sustentável – a expressão entra em cena
Em 1983, a ONU cria a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento como um organismo independente. Em 1987, a comissão sobre a presidência de Gro Harlem Brundtland, primeira-ministra da Noruega, materializa um dos mais importantes documentos do nosso tempo – o relatório Nosso Futuro Comum, responsável pelas primeiras conceituações oficiais, formais e sistematizadas sobre o desenvolvimento sustentável - idéia-mestra do relatório.
O segundo capítulo – “Em busca do desenvolvimento sustentável” – o relatório define o desenvolvimento sustentável com sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”.
Ele contém dois conceitos-chave: o de “necessidades, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem receber a máxima prioridade”; e “a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras”.
Em 1992 no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, reconheceu-se à importância de assumir a idéia de sustentabilidade em qualquer programa ou atividade de desenvolvimento.
Nesse aspecto as empresas têm um papel extremamente relevante. Através de uma prática empresarial sustentável, provocando mudança de valores e de orientação em seus sistemas operacionais, estarão engajadas à idéia de desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente.
Neste novo paradigma, Almeida (2002) diz que a idéia é de integração e interação, propondo uma nova maneira de olhar e transformar o mundo, baseada no diálogo entre saberes e conhecimentos diversos. No mundo sustentável, uma atividade – a econômica, por exemplo – não pode ser pensada ou praticada em separado, porque tudo está inter-relacionado, em permanente diálogo.
Abaixo tem-se as diferenças entre o velho e o novo paradigmas:
Quadro 1 – Paradigma cartesiano versus paradigma da sustentabilidade
|
Cartesiano |
Sustentável |
|
Reducionista, mecanicista, tecnocêntrico |
Orgânico, holístico, participativo |
|
Fatos e valores não relacionados |
Fatos e valores fortemente relacionados |
|
Preceitos éticos desconectados das práticas cotidianas |
Ética integrada ao cotidiano |
|
Separação entre o objetivo e o subjetivo |
Interação entre o objetivo e o subjetivo |
|
Seres humanos e ecossistemas separados, em uma relação de dominação |
Seres humanos inseparáveis dos ecossistemas, em uma relação de sinergia |
|
Conhecimento compartimentado e empírico |
Conhecimento indivisível, empírico e intuitivo |
|
Relação linear de causa e efeito |
Relação não’linear de causa e efeito |
|
Natureza entendida como descontínua, o todo formado pela soma das partes |
Natureza entendida como um conjunto de sistemas inter-relacionados, o todo maior que a soma das partes |
|
Bem-estar avaliado por relação de poder (dinheiro, influência, recursos) |
Bem-estar avaliado pela qualidade das inter-relações entre os sistemas ambientais e sociais |
|
Ênfase na quantidade (renda per capita) |
Ênfase na qualidade (qualidade de vida) |
|
Análise |
Síntese |
|
Centralização de poder |
Descentralização de poder |
|
Especialização |
Transdisciplinaridade |
|
Ênfase na competição |
Ênfase na cooperação |
|
Pouco ou nenhum limite tecnológico |
Limite tecnológico definido pela sustentabilidade |
Fonte: Almeida (2002).
Os empresários neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social. Também, em sua grande parte, já decidiram que não querem ter mais passivo ambiental.
Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e política que considere o desenvolvimento como um processo de mudança social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento.
Camargo, apud Novaes (2002), diz que nos últimos dois séculos têm vivido sob a tríade da liberdade, da igualdade e da fraternidade. À medida que caminhamos para o século XXI, precisamos tomar como inspiração os quatros valores da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio ecológico, segundo Donaire (1999), apresenta, como terceira vertente principal, a questão do desenvolvimento econômico. Induz um espírito de responsabilidade comum como processo de mudança no qual a exploração de recursos materiais, os investimentos financeiros e as rotas do desenvolvimento tecnológico deverão adquirir sentidos harmoniosos. Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação dos países em desenvolvimento, e o progresso será entendido como fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio ecológico.
Sachs apud Campos (2001) apresenta cinco dimensões do que se pode chamar desenvolvimento sustentável:
Figura 4 - As cinco dimensões da sustentabilidade.

Fonte: Sachs apud Campos (2001)
- A sustentabilidade social – que se entende como a criação de um processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres.
- A sustentabilidade econômica – que deve ser alcançada através do gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados.
- A sustentabilidade ecológica – que pode ser alcançada através do aumento da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos que são facilmente esgotáveis, redução da geração de resíduos e de poluição, através da conservação de energia, de recursos e da reciclagem.
- A sustentabilidade espacial – que deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas.
- A sustentabilidade cultural – incluindo a procura por raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área.
A busca de sustentabilidade é um processo, sendo a própria construção do conceito uma tarefa ainda em andamento e muito longe do fim. Alguns resultados práticos já podem ser reconhecidos e celebrados como argumenta Almeida (2002), que entre julho de 1996 e julho de 2001, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade ultrapassou com folga o Índice Dow Jones Geral: 18,4% para o primeiro, contra 14,8% para o segundo. O Índice Dow Jones de Sustentabilidade reflete a lucratividade das ações das 312 empresas com melhor desempenho sócio ambiental, dentre as cerca de três mil que compõem o Índice Dow Jones Geral, principal índice bolsista do mundo.
Hoje, a principal ferramenta de escolha de ações de empresas com responsabilidade social e ambiental é o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI, em inglês Dow Jones Sustainability Group Index). O DJSI foi lançado em setembro de 1999 pela Dow Jones e a Sustainable Asset Management (SAM), gestora de recursos da Suíça especializada em empresas comprometidas com a responsabilidade social e ambiental. O índice é formado por 312 ações de empresas de 26 países e quatro brasileiras integram a lista: Itaú, Unibancos, Embraer e Cemig.
Os índices de sustentabilidade fornecem marcas de nível objetivas para os produtos financeiros que são ligados aos critérios econômicos, ambientais e sociais. Oferecem uma linha de base do desempenho como uma marca de nível e universo do investimento para o número crescente de fundos mútuos, de certificados e de outros veículos de investimento que são baseados no conceito de sustentabilidade.
As empresas que integram a lista do DJSI tem vários benefícios como:
- Reconhecimento público da preocupação com a área ambiental e social.
- Reconhecimento dos stakeholders importantes tais como legisladores, clientes e empregados (por exemplo conduzir a uma lealdade melhor do cliente e do empregado).
- Benefício financeiro crescente pelos investimentos baseados no índice.
- Os resultados altamente visíveis, internos e externos à companhia, como todos os componentes são anunciados publicamente pelo Boletim do Índice e a companhias são intituladas a usar “membro da etiqueta oficial de DJSI”.
Verifica-se, portanto, que as empresas estão cuidando dos aspectos sociais e ambientais e muitas delas têm ganho econômico e maior durabilidade a longo prazo, ou seja, o risco do investidor é menor.
O Jornal Valor Econômico de 07 de março de 2003, trouxe a seguinte manchete : “Sustentabilidade entra na pauta das multinacionais, que diz: Presidentes e diretores de multinacionais e de grandes grupos brasileiros participaram segunda-feira dia 10 de março de 2003, no Rio, da reunião executiva do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês). A entidade, que representa 169 grupos com faturamento anual de US$ 6 trilhões, discutiu os caminhos do desenvolvimento sustentável, abordando temas como pobreza, recursos naturais, inovação tecnológica e biotecnologia.
O vice-presidente da República, José Alencar, participou de um seminário durante o encontro. Fernando Almeida, diretor-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS, equivalente nacional do WBCSD), disse que na reunião o Brasil poderá se tornar o primeiro caso do projeto-piloto Sobrevivência Sustentável. Criado pelo WBCSD, o projeto tem o objetivo de desenvolver atividades em áreas de baixa renda, oferecendo condições para que essas regiões se desenvolvam conforme o conceito de sustentabilidade.
Almeida previu que os líderes empresariais reunidos no Rio poderão apoiar a iniciativa de transformar o Brasil no primeiro “case” do Sobrevivência Sustentável. A idéia é começar com dois projetos-piloto, um na caatinga e outro na região Noroeste do estado do Rio. Segundo ele, os temas discutidos pelo WBCSD, como clima e energia, acesso a água, biodiversidade, inovação e tecnologia, valem também para os 42 conselhos nacionais (por país), que reúnem cerca de mil empresas. Há ainda projetos setoriais discutidos pelo conselho, como florestas, mineração, cimento e setores elétrico e financeiro.
5. – Gestão ambiental – o novo paradigma
Gestão ambiental é um aspecto funcional da gestão de uma empresa, que desenvolve e implanta as políticas e estratégias ambientais.
Diversas organizações empresariais estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. Neste sentido, a gestão ambiental tem se configurado como uma das mais importantes atividades relacionadas com qualquer empreendimento. Além dessa ferramenta, a problemática ambiental envolve também o gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável, da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos ambientais.
Para Meyer (2000), a gestão ambiental é apresentada da seguinte forma:
*objeto de manter o meio ambiente saudável (à medida do possível), para atender as necessidades humanas atuais, sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras.
*meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso e/ou descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a partir de um plano de ação viáveis técnica e economicamente, com prioridades perfeitamente definidas.
*instrumentos de monitoramentos, controles, taxações, imposições, subsídios, divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e conscientização.
*base de atuação de diagnósticos (cenários) ambientais da área de atuação, a partir de estudos e pesquisas dirigidos em busca de soluções para os problemas que forem detectados.
Assim, para que uma empresa passe a realmente trabalhar com gestão ambiental deve, inevitavelmente, passar por uma mudança em sua cultura empresarial; por uma revisão de seus paradigmas. Neste sentido, a gestão ambiental tem se configurado com uma das mais importantes atividades relacionadas com qualquer empreendimento.
Quadro 2 – Visão geral da gestão ambiental
|
GESTÃO AMBIENTAL |
|||
|
Gestão de Processos |
Gestão de Resultados |
Gestão de Sustentabilidade |
Gestão do Plano Ambiental |
|
Exploração de recursos |
Emissões gasosas |
Qualidade do ar |
Princípios e compromissos |
|
Transformação de recursos |
Efluentes líquidos |
Qualidade da água |
Política ambiental |
|
Acondicionamento de recursos |
Resíduos sólidos |
Qualidade do solo |
Conformidade legal |
|
Transporte de recursos |
Particulados |
Abundância e diversidade da flora |
Objetivos e metas |
|
Aplicação e uso de recursos |
Odores |
Abundância e diversidade da fauna |
Programa ambiental |
|
Quadros de riscos ambientais |
Ruídos e vibrações |
Qualidade de vida do ser humano |
Projetos ambientais |
|
Situações de emergência |
Iluminação |
Imagem institucional |
Ações corretivas e preventivas |
Fonte: Macedo, R.K. 1994.
De acordo com Macedo (1994), se uma unidade produtiva, ao ser planejada, atender a todos os quesitos apresentados na tabela acima, através de ferramentas e procedimentos adequados, certamente ela atenderá a todas as requisições existentes relativas à qualidade ambiental.
O mesmo autor subdivide a gestão ambiental em quatro níveis:
Gestão de Processos – envolvendo a avaliação da qualidade ambiental de todas as atividades, máquinas e equipamentos relacionados a todos os tipos de manejo de insumos, matérias primas, recursos humanos, recursos logísticos, tecnologias e serviços de terceiros.
Gestão de Resultados – envolvendo a avaliação da qualidade ambiental dos processos de produção, através de seus efeitos ou resultados ambientais, ou seja, emissões gasosas, efluentes líquidos, resíduos sólidos, particulados, odores, ruídos, vibrações e iluminação.
Gestão de Sustentabilidade (Ambiental) – envolvendo a avaliação da capacidade de resposta do ambiente aos resultados dos processos produtivos que nele são realizados e que o afetam, através da monitoração sistemática da qualidade do ar, da água, do solo, da flora, da fauna e do ser humano.
Gestão do Plano Ambiental – envolvendo a avaliação sistemática e permanente de todos os elementos constituintes do plano de gestão ambiental elaborado e implementado, aferindo-o e adequando-o em função do desempenho ambiental alcançado pela organização.
Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade ambiental e o processo decisório. São aplicados a todas as fases dos empreendimentos e poder ser: preventivos, corretivos, de remediação e pró-ativos, dependendo da fase em que são implementados
5.1. - Impacto Ambiental
A expressão “impacto ambiental” teve uma definição mais precisa, nos anos 70 e 80, quando diversos países perceberam a necessidade de estabelecer diretrizes e critérios para avaliar efeitos adversos das intervenções humanas na natureza.
A definição jurídica de impacto ambiental no Brasil vem expressa no art. 1º da Res. 1, de 23.1.86 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, nos seguintes termos: “considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que direta ou indiretamente, afetam-se: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos naturais”.
O Impacto ambiental é a alteração no meio ou em algum de seus componentes por determinada ação ou atividade. Estas alterações precisam ser quantificadas, pois apresentam variações relativas, podendo ser positivas ou negativas, grandes ou pequenas.
O que caracteriza o impacto ambiental, não é qualquer alteração nas propriedades do ambiente, mas as alterações que provoquem o desequilíbrio das relações constitutivas do ambiente, tais como as alterações que excedam a capacidade de absorção do ambiente considerado.
Assim, de acordo com Moreira (2002) o ambiente urbano como relações dos homens com o espaço construído e com a natureza, em aglomerações de população e atividades humanas, constituídas por fluxo de energia e de informação para a nutrição e biodiversidade; pela percepção visual e atribuição de significado às conformações e configurações da aglomeração; e pela apropriação e fruição (utilização e ocupação) do espaço construído e dos recursos naturais.
Porém o impacto ambiental é entendido como qualquer alteração produzida pelos homens e suas atividades, nas relações constitutivas do ambiente, que excedam a capacidade de absorção desse ambiente.
Em suma, os impactos ambientais afetam a estabilidade preexistente dos ciclos ecológicos, fragilizando-a ou fortalecendo-a.
Antes de se colocar em prática um projeto, seja ele público ou privado, precisamos antes saber mais a respeito do local onde tal projeto será implementado, conhecer melhor o que cada área possui de ambiente natural (atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera) e ambiente social (infraestrutura material constituída pelo homem e sistemas sociais criados).
A maioria dos impactos é devido ao rápido desenvolvimento econômico, sem o controle e manutenção dos recursos naturais. A conseqüência pode ser poluição, uso incontrolado de recursos como água e energia etc. Outras vezes as áreas são impactadas por causa do subdesenvolvimento que traz como conseqüência a ocupação urbana indevida em áreas protegidas e falta de saneamento básico.
De maneira geral, os impactos ambientais mais significativos encontram-se nas regiões industrializadas, que oferecem mais oportunidades de emprego e infra-estrutura social, acarretando, por isso, as maiores concentrações demográficas.
Quadro 3 - Principais impactos ambientais
|
ATIVIDADES DE MAIOR POTENCIAL DE IMPACTO AMBIENTAL |
TIPO DE DEGRADAÇÃO |
|
Garimpo de ouro |
Assoreamento e erosão nos cursos d’água Poluição das águas, aumento da turbidez e metais pesados Formação de núcleos populacionais com grandes problemas sociais· Degradação da paisagem Degradação da vida aquática com conseqüências diretas sobre a pesca e a população |
|
Mineração industrial, Ferro, Manganês, Cassiterita, Cobre, Bauxita, etc. |
Degradação da paisagem Poluição e assoreamento dos cursos d’água Esterilização de grandes áreas Impactos sócio-econômicos |
|
Agricultura e pecuária extensivas (grandes projetos agropecuários) |
Incêndios florestais, destruição da fauna e flora Contaminação dos cursos d’água por agrotóxicos Erosão e assoramento dos cursos d’água Destruição de áreas de produtividade natural Reservas extrativistas |
|
Grandes Usinas Hidrelétricas |
Impacto cultural - provas indígenas Impacto sócio-econômico Inundação de áreas florestais, agrícolas, vilas, etc Impacto sobre flora, fauna e ecossistemas adjacentes |
|
Pólos industriais e/ou grandes indústrias |
Poluição do ar, água e solo Geração de resíduos tóxicos Conflitos com o meio urbano |
|
Caça e pesca predatórias |
Extinção de mamíferos aquáticos e diminuição e peixes Drástica redução de animais de valores econômico e ecológico |
|
Indústrias de Alumínio |
Poluição atmosférica Poluição marinha Impactos indiretos pela enorme demanda de energia elétrica |
|
Crescimento populacional vertiginoso (migração interna) |
Problemas sociais graves, chegando - em alguns casos - a um aumento de 40% da população entre 1970 e 1980 Ocupação desordenada do solo com sérias conseqüências sobre os recursos naturais |
Fonte: http://www.sivam.gov.br
6 – Benefícios da Gestão Ambiental
A gestão ambiental facilita o processo de gerenciamento, proporcionando vários benefícios às organizações. North apud Cagnin (2000) enumera os benefícios da gestão ambiental, que estão discriminados abaixo:
Quadro 4: Benefícios da gestão ambiental
BENEFÍCIOS ECONÔMICOS |
Economia de CustosÖ Redução do consumo de água, energia e outros insumos. Ö Reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de efluentes. Ö Redução de multas e penalidades por poluição. |
Incremento de ReceitaÖ Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes”, que podem ser vendidos a preços mais altos. Ö Aumento da participação no mercado, devido à inovação dos produtos e à menor concorrência. Ö Linhas de novos produtos para novos mercados. Ö Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição. |
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS |
|
Ö Melhoria da imagem institucional. Ö Renovação da carteira de produtos. Ö Aumento da produtividade. Ö Alto comprometimento do pessoal. Ö Melhoria nas relações de trabalho. Ö Melhoria da criatividade para novos desafios. Ö Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas. Ö Acesso assegurado ao mercado externo. Ö |