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Estudo do IPAM mostra que o futuro da floresta Amazônica
CREDS - Centro de Referência para a Educação e Desenvolvimento Sustentável
Autor rolim 06/10/2003

Índice

» CREDS - Centro de R...

Estudo do Ipam, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, mostra que o destino da floresta Amazônica está diretamente relacionado com o destino de mais de seis milhões de pessoas carentes que moram e controlam mais de 1/3 da floresta da região. O relatório, Florestas Familiares: O pacto socioambiental entre a indústria madeireira e a agricultura familiar na Amazônia, mostra que melhorar a vida das pessoas que moram nas florestas fundamental para conservaão das florestas e que quando essa populaão rural carente tem oportunidade para gerar renda através da comercializaão de produtos florestais, eles se tornam motivados para proteger e manejar os seus recursos florestais.

O estudo apresenta também um modelo alternativo de desenvolvimento rural que está surgindo espontaneamente na Amazônia envolvendo parcerias entre empresas madeireiras e pequenos produtores rurais e que políticas públicas bem intencionadas, como o ambicioso Programa Nacional de Florestas (PNF), pode inviabilizar a dependência da indústria madeireira nas populaões rurais carente que residem na floresta.

Para Eirivelthon Lima, pesquisador do IPAM, excluir as populaões rurais carentes que controlam mais de 1/3 da floresta da Amazônica dos mercados locais de produtos madeireiros não irá, como algumas pessoas acreditam, ajudar na governança da indústria madeireira. O PNF inclui uma mudança fundamental no setor madeireiro. Essa mudança é a expansão das florestas públicas para 50 milhões de hectares e disponibilizaão de 50% dessa área para a atividade madeireira por meio de concessões florestais em um prazo de 10 anos. Os principais riscos com essa política são: (a) fornecer acesso subsidiado a florestas menos perturbadas na região, assim iniciar novos pólos madeireiros e degradaão florestal desnecessários; (b) a produão madeireira proveniente das concessões pode concorrer com a produão das indústrias madeireiras que vem atuando de forma responsável e dentro da legalidade, inclusive, aquelas que participam das florestas familiares; e, (c) as concessões podem excluir as populaõe rurais carentes da região de uma grande fatia dos benefícios econômicos gerados pela extraão e venda de madeira.

Para Eirivelthon a estratégia mais barata, acessível e com maior benefício socioambiental é reforçar a dependência da indústria madeireira em relação aos agricultores, povos tradicionais e grupos indígenas que residem nas florestas que circundam as rodovias e hidrovias das áreas próximas aos pólos madeireiros. Esses povos poderiam receber um fluxo permanente de renda da indústria madeireira e oferecer, em troca, uma fonte sustentável de madeira.

Os pesquisadores concordam que para alcançar este objetivo, no entanto, é preciso concentrar os esforços governamentais e nao-governamentais na promoão de sinergias e relaões justas entre as populaões rurais pobres e as empresas madeireiras. Estes esforços devem ser apoiados pela integraão entre as políticas ambientais, agrícolas e de reforma agrária.

Para a pesquisadora do Ipam, Claudia Azevedo Ramos precisamos reconhecer que as milhares de pessoas que residem em áreas de floresta dependem dela para sobreviver e precisamos ser prático, assim devemos (re)formular políticas públicas que facilite a realizaão dos benefícios potenciais que a madeira pode gerar para as comunidades rurais.

Os grupos indígenas da Amazônia, por exemplo, são os maiores proprietário de floresta da região. Mas, a exploraão madeireira não é permitida em suas florestas. "Essa restrião cria as condiões onde a exploraão ilegal de madeira é a única opão viável", diz Eirivelthon. O mesmo acontece com os pequenos produtores rurais, afirma Daniel Nepstad, pesquisador do IPAM , nesse caso a exploração é permitida, mas como os pequenos produtores não são capacitados no planejamento e negociaão do recurso madeireiro, os inúmeros acordos fechados entre empresas madeireiras e comunidades de pequenos produtores são inadequados. Segundo ele, isso resulta em propriedades rurais degradadas e trazendo poucos benefícios para a comunidades.

Embora, a situação não pareça muito promissora, esse relatório mostra que é possível alcançar estes benefícios através de acordos justos que visam estruturar propriedades rurais para o manejo florestal sustentável.


Exemplo disso é o caso de uma indústria madeireira localizada próxima ao município de Santarém, no oeste do Estado do Pará. A empresa é responsável por facilitar a titulação da terra, investir no plano de manejo comunitário e no manejo florestal em lotes individuais e por pagar um preço considerado justo para a madeira, que extraída a partir de métodos de impacto ecológico reduzido. Este tipo de experiência mostra que populaões rurais detentoras de áreas com floresta podem incorporar as "floresta familiares" nos seus sistemas de produão, aumentando a renda familiar através da venda ordenada de madeira e de outros produtos florestais.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) é uma instituião de pesquisa sem fins lucrativos sediada em Belém do Pará, com sucursais em Brasília e Santarém. A missão do instituto é a promoão do desenvolvimento sustentável através de pesquisa. As áreas de atuação do IPAM incluem: ecologia, economia, modelagem, manejo de recursos naturais políticas públicas.

Todos os direitos reservados, WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica (apenas para as matérias geradas pelo UMA-Jornal Digital).

Autorizada a reprodução do todo ou em parte citando copyrights, fonte e o site http://www.wwiuma.org.br

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Leia sobre o Estado do Mundo 2003 aqui:
http://veja.abril.com.br/idade/estacao/estado_mundo_2003/popup.html



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