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Indicadores sociais são instrumento de atuação das empresas
Indicadores sociais são instrumento de atuação das empresas
Autor recebidos 05/07/2004

Índice

» Indicadores sociais...

Entidades e ongs que formam o terceiro setor devem se preocupar com os indicadores sociais tanto quanto governos, grandes ou pequenas empresas, dizem consultores.
 

Roselena Nicolau
Da Agência Sebrae de Notícias (www.asn.com.br ) - 24/06/04
 
São Paulo - A burocracia impera no Brasil. Está enraizada em todas as esferas governamentais e atormenta o empresário da abertura ao fechamento de sua empresa. Ao lado da alta carga tributária, empurra as empresas, sobretudo as menores, para a informalidade. Estudos recentes dão uma mostra dos estragos do excesso de formalismo e procedimentos no setor privado.

Relatório divulgado pelo Banco Mundial revela, por exemplo, que o empresário australiano leva dois dias para abrir um negócio em seu país. Aqui no Brasil, a abertura de uma empresa, independente do porte, exige 15 procedimentos e demora, em média, 152 dias.

Outro levantamento, feito junto a 100 pequenas empresas de confecção pelo Ronald Coase Institute, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), constatou que o empresário brasileiro perde 74 dias para ter sua empresa constituída. O estudo mostra, ainda, que o custo médio para a abertura de uma firma equivale a 10,9% do PIB per capita.

Os resultados dos estudos foram debatidos no Seminário Burocracia, Empreendedorismo e Emprego, realizado pela ACSP e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em São Paulo.

Os dados serviram como subsídios aos participantes na busca de estratégias que incentivem a desburocratização. Para o jornalista Luis Nassif, a legislação trabalhista é um exemplo claro de excesso de burocracia. "Muitas empresas deixam de contratar porque não conseguem cumprir todas as exigências burocráticas. Isso sem falar dos custos envolvidos na contratação", disse.

A burocracia não escolhe tamanho, faturamento ou ramo de atividade, mas é especialmente nefasta para as empresas de menor porte. Ao mostrar os resultados da pesquisa feita com o setor de confecções, conduzida por Décio Zylbersztajn, professor do Departamento de Administração da FEA/USP, o diretor do Centro de Pesquisa, Análise e Comunicação (Cepac), José Rubens Figueiredo, disse que hoje, no Brasil, "é um heroísmo manter uma empresa formalizada, ainda mais quando se é pequeno e micro". Isso porque, segundo ele, 94% dos entrevistados precisaram contratar um especialista para abrir o negócio.

O presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon), Antonio Marangon, lembrou no evento que o Brasil já teve até um Ministério da Desburocratização, conduzido pelo ministro Hélio Beltrão. "Mas nada foi feito até hoje para diminuir a burocracia. Ao contrário, nos últimos anos o excesso de burocracia aumentou em 50% os custos das empresas", disse.

Marangon citou ainda os resultados de uma pesquisa feita pelo Sebrae, segundo a qual a burocracia leva 72% das empresas paulistas para a informalidade. "Somente no Estado de São Paulo, dos 3,9 milhões de empreendedores, 2,6 milhões são informais", revelou.

Tributos

Ao lado da burocracia, a carga tributária contribui para engrossar as estatísticas da informalidade. "O pequeno empreendedor não tem como arcar com essa carga, que em 1994 representava 29% do PIB e hoje está próxima a 37%", disse o diretor técnico do Sebrae/SP, Carlos Monteiro.

O diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, Marcel Solimeo, também não poupou críticas ao poder público, que nada tem feito para diminuir a burocracia." Ao contrário do que ocorre com os empresários quando deixam de cumprir alguma obrigação, o governo não tem prazo para atender alguma solicitação do contribuinte, fruto da burocracia criada por ele mesmo, e nem paga multa", criticou.



Fonte
Starta - Junho/2004
http://www.starta.com.br/informe/6/terceirosetor.asp


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